LUIS DIAS GOMES, Lda

CLÍNICA OFTALMOLÓGICA

CENTRO DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

 

   

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Sistema Nervoso Autónomo

O Sistema Nervoso Autónomo (SNA) dedica-se a regular o nosso meio interno, como seja manter a temperatura do corpo, a água e sais minerais, proteínas, regular volume de líquidos pelos vários compartimentos simultaneamente com as hormonas, regular o débito cardíaco e pressão arterial, actua regulando todas as glândulas, musculo liso e tonos do estriado, mobilizar os órgãos para a actividade ou para o repouso, trabalhando sempre sem descanso.

O SNA tem dois sistemas acessórios, para realizar a mobilização para a luta e gasto de energia faz esta actividade através do Sistema Nervoso Autónomo Simpático (SNAS) em que o neurotransmissor é a noradrenalina nas terminações nervosas; para pôr o corpo em repouso e recarregar a energia nas células utiliza o Sistema Nervoso Autónomo Parassimpático (SNAP) cujo neurotransmissor é a acetilcolina nas terminações nervosas, na fig 1 mostra-se um esquema resumido destes dois sistemas, pode ver mais detalhado em www.iqb.es/neurologia/a008.htm - 13k

fig1. Mostra as principais divisões do SNA, a cadeia simpática e parassimpática

O SNA tem acções através destes dois sistemas opostas, manifestando-se sempre em cada tarefa a força destes dois controles, ou seja um faz o que o outro deixa fazer.

Algumas acções nos órgãos, na fig 2

Órgão

Efeito da estimulação simpática

Efeito da estimulação parassimpática

Olho: pupila

Músculo ciliar

Dilatada

Nenhum

Contraída

Excitado

Glândulas gastrointestinais

Vasoconstrição

Estimulação de secreção

Glândulas sudoríparas

Sudação

Nenhum

Coração: músculo (miocárdio)

Coronárias

Actividade aumentada

Vasodilatação

Diminuição da actividade

Constrição

Vasos sanguíneos sistémicos:

Abdominal

Músculo

Pele

Constrição

Dilatação

Constrição ou dilatação

Nenhum

Nenhum

Nenhum

Pulmões: brônquios

Vasos sanguíneos

Dilatação

Constrição moderada

Constrição

Nenhum

Tubo digestivo: luz

Esfíncteres

Diminuição do tónus e do peristaltismo

Aumento do tónus

Aumento do tónus e do peristaltismo

Diminuição do tónus

Fígado

Liberação de glicose

Nenhum

Rim

Diminuição da produção de urina

Nenhum

Bexiga: corpo

Esfíncter

Inibição

Excitação

Excitação

Inibição

Ato sexual masculino

Ejaculação

Erecção

Glicose sanguínea

Aumento

Nenhum

Metabolismo basal

Aumento em até 50%

Nenhum

Actividade mental

Aumento

Nenhum

Secreção da medula supra-renal (adrenalina)

Aumento

Nenhum

Fig 2 Algumas acções nos órgãos do Simpático e Parassimpático 

Nos olhos, o tamanho da pupila é regulada pela íris que tem dois músculos lisos, um que é o dilatador radial da íris com enervação simpática, o outro é o esfíncter constritor da íris enervado pelo parassimpático. Assim ao medir o tamanho da pupila e a reacção desta à luz, poderemos aquilatar pela velocidade de contracção máxima e média, bem como pela amplitude do movimento ( % do diâmetro mínimo sobre o máximo inicial antes da luz tipo flash) , que energia o parassimpático tem e aquela que o simpático deixa ter nesta acção. Ao medir a velocidade de dilatação medimos a energia do simpático e o que o parassimpático deixa fazer. Nesta quantificação do tamanho da pupila e sua reactividade à luz, ou ao escuro, baseia-se a técnica da Pupilometria por Infravermelhos ou PLR ( pupil ligth reflex ), conseguindo assim ter quantificações deste reflexo autonómico podendo-se comparar a reactividade do SNA no tempo numa dada pessoa, bem como comparar estes parâmetros com outras. O máximo e mínimo destes parâmetros tanto estáticos como dinâmicos podem ser calculados indirectamente usando químicos agonistas e antagonistas do SNAS e SNAP, dando assim valores de referência individuais muito precisos e fiáveis na avaliação autonómica.

Com o estudo deste reflexo, podemos medir o nível de alerta e de fadiga, a atenção, a nível central (tronco cerebral e diencefalo), bem como medir a integridade e amplitude das lesões nas vias tanto aferentes (entrada, vias ópticas) como eferentes (saída, 3º par craniano, nervo motor ocular comum).

Esta quantificação do SNA pode-se fazer também a outros níveis como medir o suor das mãos (resistência galvânica da derme), através da variabilidade da frequência cardíaca, através da electroencefalografia, com a electromiografia, ventilação pulmonar.

Além da quantificação, esta tecnologia pode ser usada para modular os reflexos autonómicos conseguindo-se alterar o funcionamento do SNA, como é o caso do biofeedeback feito a vários níveis, esta técnica tem dado muitos bons resultados em doenças várias, fazendo com que o utilizador se saiba sentir e modular o seu SNA sem medicação, muitas vezes atingindo níveis de controlo surpreendentes, como é o caso de enxaquecas, hipertensões arteriais, perturbações do sono e vigília, fibromialgias, ansiedades, controle de impulsos, frustrações, alterações na atenção, melhorar a concentração, apoio à manipulação de afectos e vivências afectivas.

O SNA como já depreendeu tem múltiplas funções no corpo humano, pois pode-se dizer que este tudo regula, normalmente sem nós temos consciência deste trabalho. Além desta regulação quase antagónica exercida pelo simpático e parassimpático nos órgãos e sistemas, o SNA tem mais uma regulação muito particular para o sistema digestivo denominado Sistema Mioentérico em que há mais um neurotransmissor a realçar que é a serotonina.

Ao falar dos neurotransmissores terá que se abordar também os receptores destes neurotransmissores, fazendo variar muito estas acções nos órgãos alvo. Estes receptores podem ser medidos indirectamente através das suas reacções a soluções padrão com uma dada quantidade conhecida do neurotransmissor, podendo-se calcular assim no organismo a efectividade no uso de um certo composto químico. Pode-se calcular também através deste método se há lesões nas vias nervosas, pois estes receptores aumentam muito em número em caso de lesão, tornando os tecidos muito mais reactivos a esses transmissores (para uma dada quantidade). Na fig 3 pode-se ver alguns efeitos da classificação farmacológica mais antiga, todavia ainda muito em voga da estimulação dos receptores adrenérgicos (SNAS) e colinérgicos-muscarinicos.

Órgãos efetores

Tipo de receptor

Impulsos adrenérgicos¹, respostas²

Impulsos colinérgicos¹, respostas²

Olho

a

   

Músculo radial, íris

 

Contração (midríase) + +

Músculo do esfíncter, íris

 

Contração (miose) + + +

Músculo ciliar

b

Relaxamento para visão a distância +

Contração para visão próxima + + +

Coração

     

Nodo SA

b1

Aumento na freqüência cardíaca + +

Diminuição na freqüência cardíaca; parada vagal + + +

Átrios

b1

Aumento da contractilidade e da velocidade de condução + +

Diminuição da contractilidade e (geralmente) aumento na velocidade de condução + +

Nodo AV

b1

Aumento do automatismo e da velocidade de condução + +

Diminuição da velocidade de condução; bloqueio AV + + +

Sistema de His-Purkinje

b1

Aumento do automatismo e da velocidade de condução + + +

Pouco efeito

Ventrículos

b1

Aumento da contractilidade, velocidade de condução, automatismo e freqüência dos marcapassos idioventriculares + + +

Ligeira diminuição na contractilidade

Arteríolas

     

Coronárias

a, b2

Constrição +; Dilatação3 + +

Dilatação ±

Pele e mucosa

a

Constrição + + +

Dilatação4

Músculo esquelético

a, b2

Constrição + +; Dilatação3,5 + +

Dilatação6 +

Cerebral

a

Constrição (ligeira)

Dilatação4

Pulmonar

a, b2

Constrição +; Dilatação3

Dilatação4

Vísceras abdominais, renais

a, b2

Constrição + + +; Dilatação5 +

Glândulas salivares

a

Constrição + + +

Dilatação + +

Veias (sistêmicas)

a, b2

Constrição + +; Dilatação + +

Pulmão

     

Músculo brônquico

b2

Relaxamento +

Contracção + +

Glândulas brônquicas

?

Inibição (?)

Estimulação + + +

Estômago

     

Motilidade e tônus

a2, b2

Diminuição (geralmente)7 +

Aumento + + +

Esfíncter

a

Contracção (geralmente) +

Relaxamento (geralmente) +

Secreção

 

Inibição (?)

Estimulação + + +

Intestino

     

Motilidade e tónus

a2, b2

Diminuição7 +

Aumento + + +

Esfíncter

a

Contracção (geralmente) +

Relaxamento (geralmente) +

Secreção

 

Inibição (?)

Estimulação + +

Vesícula biliar e ductos

 

Relaxamento +

Contracção

Rim

b2

Secreção de renina + +

Bexiga urinária

     

Detrusor

b

Relaxamento (geralmente) +

Contração + + +

Trígono e esfíncter

a

Contracção + +

Relaxamento + +

Ureter

     

Motilidade e tônus

a

Aumento (geralmente)

Aumento (?)

Útero

a, b2

Grávida: contracção (a); não-grávida: relaxamento (b)

Variável8

Órgãos sexuais, masculinos

a

Ejaculação + + +

Erecção + + +

Pele

     

Músculos pilomotores

a

Contracção + +

Glândulas sudoríparas

a

Secreção localizada9

Secreção generalizada + + +

Cápsula do baço

a, b2

Contracção + + +; Relaxamento +

Medula da adrenal

 

Secreção de epinefrina e norepinefrina

Fígado

a, b2

Glicogenólise, gliconeogênese10 + + + 

Síntese de glicogénio +

Pâncreas

     

Ácinos

a

Secreção diminuída +

Secreção + +

Ilhotas (células b)

a

b2

Secreção diminuída + + +

Secreção aumentada +

Células adiposas

a, b1

Lipólise10 + + +

Glândulas salivares

a

b

Secreção de potássio e água +

Secreção de amilase +

Secreção de água e potássio + + +

Glândulas lacrimais

 

Secreção + + +

Glândulas nasofaríngeas

 

Secreção + +

Glândula pineal

b

Síntese de melatonina

Fig 3 acções por estimulação de receptores adrenérgicos e colinérgicos.